Serendipidade ou nada acontece por acaso.

Hoje, descobrimos, Ana Maria Gonçalves, serendipidademente!

 

“Serendipidade: A faculdade ou o ato de descobrir coisas agradáveis por acaso. “Serendipidades!” é o nome que Ana Maria Gonçalves escolheu para o prólogo de seu segundo romance. Nesse texto de abertura, a autora conta que foi em um desses momentos em que se busca uma coisa para acabar encontrando outra ainda mais interessante que surgiu o embrião de Um defeito de cor”.

…” Baseado em diversas histórias reais e ancorado em fontes primárias de pesquisa, Um defeito de cor, o segundo livro de Ana Maria, é um romance de 950 páginas que arrepia do começo ao fim. Personagens reais e fictícios convivem na obra para contar a saga da população africana e afrodescendente no Brasil na voz de uma mulher negra. Inspirada em Luísa Mahin, possivelmente mãe do abolicionista Luiz Gama (uma personagem real, mas sobre a qual há pouca história documentada), Kehinde, a personagem principal e narradora do livro, representa o protagonismo de todas as mulheres negras ao longo da nossa história.

Como narra a escritora, Kehinde veio para o Brasil menina, nascida no reino de Daomé. Foi escravizada, foi mulher livre, foi empreendedora, mãe, ativista e muito mais. Viveu na Bahia, no Rio de Janeiro e São Paulo. Voltou à Africa para descobrir conexões ainda mais profundas entre o Brasil o continente. Afrodescendência, identidade, negritude, diáspora, miscigenação, migração forçada, trabalho escravo, resistência cultural, luta, violência, alegria, sofrimento, política, maternidade, gênero, religiosidade, abolicionismo, feminismo. Tudo isso e muito mais faz parte dessa narrativa impressionante construída por Ana Maria Gonçalves, que acredita que os cinco anos de pesquisa, escrita e reescrita de Um defeito de cor fizeram mais por sua própria identidade do que seus 35 anos vividos até então”. (in, geledes).

um-defeito-de-cor

…  Para quem é mestiça, como eu, e em uma sociedade na qual o racismo é estrutural, a identidade é uma identidade negociável. Não há nenhuma vantagem em ser negra, e dependendo da classe social, do nível econômico e cultural, a própria sociedade trabalha para que se sofra um processo de embranquecimento. Juntando isso ao contexto histórico, no qual a verdadeira história da escravidão e do pós-abolição nos foi negada, minha identidade negra foi construída e buscada durante o processo de pesquisa e escrita do livro. Ele conta uma história que eu não consegui encontrar pronta, e por isso quis escrever. A viagem de Kehinde é a minha viagem pra dentro de mim mesma, onde encontrei eco das histórias que pesquisei”.

(Ana Maria Gonçalves)

..”Um dos livros mais importantes para a minha escrita de “Um defeito de cor” foi “A casa da água”, do Antônio Olinto. Acho que tudo que li antes influenciou ou inspirou, porque me formou como leitora e, como já disse, escrevi o livro que queria ler.” (AMG).

 

 

Share Button

Comentários

[video id="XRXGqF_2huk" type="youtube"]

scroll to top